Eduardo Cunha rebate falacioso discurso de Dilma Rousseff

"Tentativas de barganhas para que eu não abrisse o processo de impeachment partiram do governo dela e por mim não foram aceitas". LEIA A ÍNTEGRA DA NOTA

Com relação ao depoimento da presidente afastada Dilma Rousseff, ainda em curso no Senado Federal, tenho a esclarecer o que se segue:

1) a presidente afastada segue mentindo contumazmente, visando a dar seguimento ao papel de personagem de documentário que resolveu exercer, após a certeza do seu impedimento, em curso pelo julgamento em andamento;

2) a presidente afastada mente utilizando-se da técnica fascista de que uma mentira é exaustivamente repetida até se tornar verdade;

3) ela segue me acusando de desvio de poder pela abertura do processo de impeachment, se esquecendo de que já buscou esse argumento no STF e não teve sucesso, reafirmando a lisura do meu ato;

4) as tentativas de barganhas para que eu não abrisse o processo de impeachment partiram do governo dela e por mim não foram aceitas, como já declarei em diversas oportunidades, denunciando com nomes e detalhes essas tentativas. Isso sim foi chantagem;

5) o meu ato de abertura do processo de impeachment foi confirmado por votação na comissão especial do impeachment, no plenário da Câmara por 367 votos, e já confirmado em quatro votações no Senado Federal;

6) a presidente afastada mente quando fala que como presidente da Câmara dei curso a pautas bombas e que não votava os projetos do governo. Desafio a demonstrar qual foi a pauta bomba votada e qual projeto do governo não foi votado. Desafio a demonstrar qual matéria teve inclusão de parte que, após vetada, tenha tido o seu
veto derrubado;

7) em 2015, foram votadas 28 medidas provisórias, 6 projetos oriundos do Governo, incluindo o da repatriação, assim como mais de 30 acordos internacionais, além de dezenas de outras proposições, o que tornou 2015 o ano de recorde de apreciação de
projetos;

8) a presidente mente novamente quando fala que a Câmara parou em 2016 e que nada foi votado. Até a data do meu afastamento, foram 13 medidas provisórias, dois únicos projetos do Governo tramitando em urgência e quatro acordos internacionais, além de vários projetos oriundos de parlamentares ou do Senado Federal. O atraso do reinício do funcionamento das comissões deveu-se à solução das mudanças partidárias da chamada janela partidária, em nada tendo a ver com a crise política e, mesmo assim, em nada atrapalhou a performance na Câmara;

9) o Senado Federal, em um julgamento com amplo direito de defesa, vem confirmando que a presidente afastada cometeu crime de responsabilidade. Todos os atos por mim praticados estão sendo confirmados até o momento e, ao que parece, está sendo comprovado que decretos da presidente afastada foram editados sem autorização legislativa, o que configura o crime de responsabilidade.

O resto são as desculpas para os documentários da história, incluindo o figurino do golpe, que parece caber mais na história da eleição dela do que na história do impeachment.

Eduardo Cunha

Brasília, 29 de agosto de 2016.