Eduardo Cunha voltou a defender a saída do seu partido, o PMDB, da base aliada ao Planalto

Presidente da Câmara também afirma que ministros peemedebistas precisam deixar o governo: ‘Tem que sair. Ficará ruim para os ministros, porque ficará parecendo que são mais apegados aos cargos do que ao interesse partidário’. OUÇA A ENTREVISTA DE CUNHA

BRASÍLIA — O presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, defendeu novamente a saída do PMDB, do qual ele faz parte, da base aliada ao governo, prevista para ser definida nesta terça-feira, 29, Cunha afirmou que os atuais sete ministros do partido deveriam deixar os cargos. “Tem que sair. Ficará ruim para os ministros, porque ficará parecendo que são mais apegados aos cargos do que ao interesse partidário”, disse. O ministro do Turismo, Henrique Eduardo Alves, já entregou nesta segunda-feira a sua carta de demissão.

Cunha lembrou que vem defendendo desde julho a saída do PMDB do governo. Segundo ele, isso não tem relação com o processo de impeachment de Dilma. O presidente da Câmara avalia que o PMDB não irá necessariamente para a oposição, mas ficará livre para votar propostas no Congresso com base no que for de interesse do País.

Cunha também disse que a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) chegou atrasada ao protocolar na Casa, nesta segunda, um pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff. Ele fez o comentário como resposta à pergunta sobre as semelhanças entre o atual processo e o afastamento do ex-presidente Fernando Collor em 1992, também apoiado pela OAB. “São momentos, circunstâncias e pessoas diferentes. A OAB chegou um pouquinho atrasada; não veio como naquele momento, com protagonismo — veio com retardo”, disse Cunha.

Segundo ele, o pedido da OAB não deve ser analisado agora: “É mais um; vou despachar no momento apropriado, não agora, porque estamos no meio do trabalho da comissão especial e não haveria lógica em ter duas comissões simultâneas.”

Para Cunha, independente do dia em que o processo de abertura do impeachment venha a ser analisado em Plenário, haverá manifestação na frente da Câmara. “Vamos seguir o rito do Regimento; o dia que cair, caiu. Qualquer que seja o dia, o País vai parar para assistir e vai haver manifestação aqui na porta. Não há dúvida disso”, afirmou, ao ser questionado se há possibilidade de a votação acontecer num domingo. (Com informações da Agência Câmara)

OUÇA A ENTREVISTA DE CUNHA CONCEDIDA NESTA NOITE, NO SALÃO VERDE DA CÂMARA: